sexta-feira, 31 de maio de 2013

O menina


"Há anos buscando-me em seios e sexos que deveras tido num corpo não meu. Anos perdidos em sonhos, ilusões, dependentes desejos outros ( meus?). Minha mente, inversamente proporcional ao meu corpo, multiplica-se às milhares esferas visuais de mim. Espelhos não refletem o que sou. Meus olhos não aceitam o que estou. Minha boca é silenciada pelos tantos pensamentos ‘martirizantes’ de almas inocentemente perversas e inteligentemente burras, animais.
Por vezes busquei morrer, sair do que não me pertence (ia), tentando encontrar no vácuo ou no arquiteto uma figura mais minha do que todas as outras que esperei que fossem de mim, mas nunca foram e que preciso que um dia, não completamente, mas ao mínimo, sejam.Mas não agora.
Estou encoberto por tecidos, drogas, e anestésicos. Vomito infertilidades, Soluço textos-e-romas, respiro mudanças. Um dia, serei eu, me encontrarei, de fato, em mim, nem que para isso, não precise da faca ou da seringa, mas da própria foice digna da morte."
[Desabafos de um(a) adolescente frustado(a). 15/03/1897]

(Milly Almeida* 31/05/2013)


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Apenas conversa




Dúvidas. Confissões. Galhos. Intrigas. Discussões. A madrugada se torna pequena para dois desconhecidos que se amanhecem de incertezas, certas, e convicções. O que os une? O que almejam? Sobre o que dialogam? ‘Se discordam’ e concordam? E mudam, refazem ideias, preconceitos errados. Mesmas folhas que caem, mesmas ventanias, mesmos sons a perturbar-lhes os ouvidos, mesmo mistério que os chama, ou a um; ou a todos que circundam seus dedos: aquelas corujas sábias, os vagalumes, as muriçocas (pessoas, não animais), a todos, que, todavia não desejariam ser um deles. Dois conhecidos unidos pelas arcanas raízes de pensamentos, até quem sabe um dia, enigmas se destapem e mudanças, também por eles, ocorram. 

(Milly Almeida: 24/05/2013*)

(Des)Moralismo



(Des) mitificando: Ilusão. Talvez, o querer estar certo, seja o agir errado e esse, o verdadeiro agir certo. Isso simplesmente porque o ser certo não é errado se certo, mas sim errado por se pensar estar certo e não vê-lo errado (dúvida) ou simplesmente neutro. (Perspectivas) Quando se está nas sombras toda luz é incômodo. (Cavernas).  Quem está na luz vê as sombras como desconhecido. (Medo) O cego que julga o mudo por ver, não pode entender quando este se põe a falar, (Desengano). porque lhe falta habilidade, a qual o cego também tem [deficiência] diferente, que acaba por se igualar.  Julgar o certo, quando o certo seja o errar. (preconceitos). Julgar. Abstrair.  Cair. Em que precipício você está? 

Milly Almeida ( 15/05/2013)

sábado, 11 de maio de 2013

Poema qualquer



Palavras aleatórias percorrem o papel como manchas
Borradas de saliva de pensamentos desconexos,
cuspidos de uma mente almejante.

Letras embelezam a aurora de um céu azulado
E se perdem no horizonte das quimeras e enleios naturais.
Que caem.
 Sobre a plumas de vertigem
Antecedendo a manhã, fazendo a manhã
Que Conversa.
Espera
Refazer-se fria e oculta.
Dentro de mim. Fora do papel.
Escrita.
(Milly Almeida*  05/03/2013)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Qualidades em defeitos




“Se você entendesse que eu não quero teu personagem e sim tua alma fidedigna, não desejo o que conheço e sim CONHECER é que desejo. Almejo teu humor sem graça, teu ser inconveniente, repleto de defeitos, de conflitos mancebos, de manias, de ilusões, de falhas, de críticas, de segredos, de dúvidas, de desfalecimentos, de doenças, de tristezas, melancolias extremas, perversão; Quero TUDO, menos conclusões precipitadas e imprecisas. A perfeição - só não existe, como incomoda, chateia, ilude. Necessito do que é real ou verdadeiramente ilusório, a questão é que cabe a mim com auxilio do tempo, decidir o que me interessa, o que me ambiciona ou não. O real pleito é ser entendido para depois entender.” 

(Milly Almeida*  23/06/2012)


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Gritos de silêncio




"Foi-se o tempo em que promessas e afeições tinham algum sentido. É tanta languidez, tanto desgosto, tanta raiva a percorrer-me o corpo. Enrosca-se em mim o clímax da fúria silenciosamente ululante que ascende meu lado inconscientemente amargo e pernicioso. E ele clama por acalanto e desespero. Cansei do provável, do improvável, de tudo, de todos, de mim... Meu corpo se desnudará com o grito de meu silêncio fatigado de minhas palavras."

(Milly Almeida* 07/06/2012)

sábado, 4 de maio de 2013

Medos



Aparecem sobre meu corpo como tatuagens molhadas,
curvas
          que e
                  s
                    c 
                      o
                         r
                           r
                             e
                                m  e  melam
 o chão com meus desesperos

Saiam!
"Esqueçam -me !
Deixem-me com meus espíritos
Leve minhas felicidades!
Devolva-me as dores!
Cansei desta Tortura...
Saia de dentro de mim!
Seja longe de mim!
Seja só!
Permita-me ser só! E embebedada de mim!"


(Milly Almeida* 19/12/2012)