segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Decompositores


‘Stamos perdidos na relva
Em meio a corujas, cupins e tamanduás
Eles cortam, ferem, sangram e não morrem
Consomem todo o ar, o que há,

Enquanto uns veem e voam.
Outros consomem seus feitos
Surgem de fino,
Mas tiram o grosso! Os leitos
Suas figas, seus neurônios e cupins

Fraca, puro concreto.
A madeira se desfaz sangrenta
Sobre a floresta que geme o estrume de vidas
Que existe, mas morre vivendo.

São restos de esperma e óvulos de vento
Pingos de leite que se deleitaram em teu seio
Fermentam. Não ‘a’. Aspiram pútridos desejos

São cobras, corvos

Mortos. Percevejos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sexo natural



Há cor
De brisa e carvão
Paixão
Há som,
Há tom
De vermelho, sabão
Que escorrega,

Cambia, proibe
Emoção
desconsidera o botão.

'Feliztece'
E se tece o hematoma
Que se tivesse
Sabor
Seria de preto
Pois se perde
Enlouquece
De emoção
Sem saber.
Ao conhecer
Sem permitir-se dizer
Do que é.
Que se sente
ao não viver
Ou Viver.
 A chuva

O tempo fala,
O chão transpira,
A mão encara
As curvas, sutilmente.

Mentira. Aperta. Esmaga
Dedos cheiram
O aroma que exala
Das sépalas
E as pétalas
Que procuram a chuva
E encontram.
Ao desabrochar da flor
Após o furacão.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Notas antigas



Hoje pensei em você
Não como nos outros dias
E sim nostalgicamente quimérica.

Revi conceitos, revi momento.
Revi olhares, revi gestos e palavras

Revi o sim, revi o não
Asilado pelo talvez, reverso de afirmação.
Revi olhos, brilho, canções
Sorriso ofuscado de timidez e alucinações.

Pensei nos causos compartilhados
Nos afagos arquitetados, idealizados.
Da agora saudade que preenche a mente neste instante
Deste artista de alma cantante
Que me distraía as tardes com o tua compleição.

Revi cadeiras, palavras, frases
Sons, sorrisos, olhares
Lembranças, dedos, violão
Revi emoção
Revi amizade, admiração, afeição.
Hoje

- Vejo saudade.

(Milly Almeida- 10/11/2012)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Patrimônio


Oferta de vida:
Barcos, iates, voos
Da FAB
Vermes em festas,
Presídios e bregas
Filho burguês, roubos
Por mês, sem gays
Sem vês.

Cuecas
Imundas
Bundas e putas.
Vadios. Marketing banal
Natural. Jeitinho. Inter
Nacional.

Sujos que
Surgem e
Sujam o dinheiro
De bolsos e seringas

Sem sentidos
Sem resquícios

Os gigantes veem e dormem(de novo)
Os que ouvem fogem
Os que falam, comem e engolem.

PLACA:
Precisa-se de surdos, cegos e mudos

sábado, 1 de junho de 2013

Vultos que furtam




        Sala. Penumbra, janela. Cama. Estou só, ferida. Tudo está escuro. Há somente uma luz que adentra a janela e ilumina alguns móveis, o carpete e uma parte dos dedos do pé que estão pretos de tinta.  Não gosto do que vejo. Estou vulnerável. Contorço-me de angústias e de dor, segurando minhas felicidades, como um animal que cuida de sua prole. Ouço ruídos, não vejo nada, mas sinto invadirem o quarto, como vultos que me rodeiam. Grito verdades ilusórias, no mínimo esperançosas. “Não irão me tomar!”
       A porta se abre.
       Estão a minha procura, vejo vagamente seus corpos, brilhantes que se vestem elegantemente, de branco.  Seus trajes se assemelham a um terno, mas não se vestem de tecido, e sim de ternura.
      Ajo, instintivamente, e me encolho, seguro minha cabeça para não soltar verdades. Todavia, é tarde.Acharam-me. Em poucos segundos estão em minha frente, acariciando-me a face, segurando meus pensamentos, apenas querem me fazer esquecer! Já tiraram demais de mim, mas não estão satisfeitos, ainda querem o resto de desespero e loucura que ainda me resta. Sarcasticamente, se entreolham. O menor senta-se ao meu lado, enquanto os outros dois seguram minhas mãos e pernas e riem. Não vejo graça. Não penso mais nada.Não consigo definir o que vejo, não são homens, são... Trisca-me o ouvido:
     “Queremos apenas teu silêncio.”
      Agora sei.
      Não são homens, são figuras. Figuras de linguagem não utilizadas.

                        (Milly Almeida* 19/12/2012)


sexta-feira, 31 de maio de 2013

O menina


"Há anos buscando-me em seios e sexos que deveras tido num corpo não meu. Anos perdidos em sonhos, ilusões, dependentes desejos outros ( meus?). Minha mente, inversamente proporcional ao meu corpo, multiplica-se às milhares esferas visuais de mim. Espelhos não refletem o que sou. Meus olhos não aceitam o que estou. Minha boca é silenciada pelos tantos pensamentos ‘martirizantes’ de almas inocentemente perversas e inteligentemente burras, animais.
Por vezes busquei morrer, sair do que não me pertence (ia), tentando encontrar no vácuo ou no arquiteto uma figura mais minha do que todas as outras que esperei que fossem de mim, mas nunca foram e que preciso que um dia, não completamente, mas ao mínimo, sejam.Mas não agora.
Estou encoberto por tecidos, drogas, e anestésicos. Vomito infertilidades, Soluço textos-e-romas, respiro mudanças. Um dia, serei eu, me encontrarei, de fato, em mim, nem que para isso, não precise da faca ou da seringa, mas da própria foice digna da morte."
[Desabafos de um(a) adolescente frustado(a). 15/03/1897]

(Milly Almeida* 31/05/2013)


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Apenas conversa




Dúvidas. Confissões. Galhos. Intrigas. Discussões. A madrugada se torna pequena para dois desconhecidos que se amanhecem de incertezas, certas, e convicções. O que os une? O que almejam? Sobre o que dialogam? ‘Se discordam’ e concordam? E mudam, refazem ideias, preconceitos errados. Mesmas folhas que caem, mesmas ventanias, mesmos sons a perturbar-lhes os ouvidos, mesmo mistério que os chama, ou a um; ou a todos que circundam seus dedos: aquelas corujas sábias, os vagalumes, as muriçocas (pessoas, não animais), a todos, que, todavia não desejariam ser um deles. Dois conhecidos unidos pelas arcanas raízes de pensamentos, até quem sabe um dia, enigmas se destapem e mudanças, também por eles, ocorram. 

(Milly Almeida: 24/05/2013*)