sábado, 28 de dezembro de 2013

Resto de rimas


Resto de vida
Resto de flor
Resto de Amor
De companhia

Resto de cor
Se for
De alegria
Melhor
Que resto de dor
Devastaria
Cardíaco setor
Cardiopatia
Faleceria
Da carne vigor
Contaria

Resto de olor
Pior
Que puro fedor
Que atavia. Disfarçaria

A Decompor
Memórias de tempo
Prosas de olor
Dias cinzentos
Pensamentos
Retiniria.
Desfaçaria

Resto de cor
Se for
De alegria
Melhor
Que resto de dor
Devastaria
Cardíaco setor
Cardiopatia
Faleceria
Da carne vigor
Contaria

Resto de olor
Pior
Que puro fedor
Que atavia. Disfarçaria

A Decompor
Memórias de tempo
Prosas de olor
Dias cinzentos
Pensamentos
Na retina 
a rima
Retiniria.
Sentimentos
Rimaria
Os restos. De poeta.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Decompositores


‘Stamos perdidos na relva
Em meio a corujas, cupins e tamanduás
Eles cortam, ferem, sangram e não morrem
Consomem todo o ar, o que há,

Enquanto uns veem e voam.
Outros consomem seus feitos
Surgem de fino,
Mas tiram o grosso! Os leitos
Suas figas, seus neurônios e cupins

Fraca, puro concreto.
A madeira se desfaz sangrenta
Sobre a floresta que geme o estrume de vidas
Que existe, mas morre vivendo.

São restos de esperma e óvulos de vento
Pingos de leite que se deleitaram em teu seio
Fermentam. Não ‘a’. Aspiram pútridos desejos

São cobras, corvos

Mortos. Percevejos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sexo natural



Há cor
De brisa e carvão
Paixão
Há som,
Há tom
De vermelho, sabão
Que escorrega,

Cambia, proibe
Emoção
desconsidera o botão.

'Feliztece'
E se tece o hematoma
Que se tivesse
Sabor
Seria de preto
Pois se perde
Enlouquece
De emoção
Sem saber.
Ao conhecer
Sem permitir-se dizer
Do que é.
Que se sente
ao não viver
Ou Viver.
 A chuva

O tempo fala,
O chão transpira,
A mão encara
As curvas, sutilmente.

Mentira. Aperta. Esmaga
Dedos cheiram
O aroma que exala
Das sépalas
E as pétalas
Que procuram a chuva
E encontram.
Ao desabrochar da flor
Após o furacão.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Notas antigas



Hoje pensei em você
Não como nos outros dias
E sim nostalgicamente quimérica.

Revi conceitos, revi momento.
Revi olhares, revi gestos e palavras

Revi o sim, revi o não
Asilado pelo talvez, reverso de afirmação.
Revi olhos, brilho, canções
Sorriso ofuscado de timidez e alucinações.

Pensei nos causos compartilhados
Nos afagos arquitetados, idealizados.
Da agora saudade que preenche a mente neste instante
Deste artista de alma cantante
Que me distraía as tardes com o tua compleição.

Revi cadeiras, palavras, frases
Sons, sorrisos, olhares
Lembranças, dedos, violão
Revi emoção
Revi amizade, admiração, afeição.
Hoje

- Vejo saudade.

(Milly Almeida- 10/11/2012)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Patrimônio


Oferta de vida:
Barcos, iates, voos
Da FAB
Vermes em festas,
Presídios e bregas
Filho burguês, roubos
Por mês, sem gays
Sem vês.

Cuecas
Imundas
Bundas e putas.
Vadios. Marketing banal
Natural. Jeitinho. Inter
Nacional.

Sujos que
Surgem e
Sujam o dinheiro
De bolsos e seringas

Sem sentidos
Sem resquícios

Os gigantes veem e dormem(de novo)
Os que ouvem fogem
Os que falam, comem e engolem.

PLACA:
Precisa-se de surdos, cegos e mudos

sábado, 1 de junho de 2013

Vultos que furtam




        Sala. Penumbra, janela. Cama. Estou só, ferida. Tudo está escuro. Há somente uma luz que adentra a janela e ilumina alguns móveis, o carpete e uma parte dos dedos do pé que estão pretos de tinta.  Não gosto do que vejo. Estou vulnerável. Contorço-me de angústias e de dor, segurando minhas felicidades, como um animal que cuida de sua prole. Ouço ruídos, não vejo nada, mas sinto invadirem o quarto, como vultos que me rodeiam. Grito verdades ilusórias, no mínimo esperançosas. “Não irão me tomar!”
       A porta se abre.
       Estão a minha procura, vejo vagamente seus corpos, brilhantes que se vestem elegantemente, de branco.  Seus trajes se assemelham a um terno, mas não se vestem de tecido, e sim de ternura.
      Ajo, instintivamente, e me encolho, seguro minha cabeça para não soltar verdades. Todavia, é tarde.Acharam-me. Em poucos segundos estão em minha frente, acariciando-me a face, segurando meus pensamentos, apenas querem me fazer esquecer! Já tiraram demais de mim, mas não estão satisfeitos, ainda querem o resto de desespero e loucura que ainda me resta. Sarcasticamente, se entreolham. O menor senta-se ao meu lado, enquanto os outros dois seguram minhas mãos e pernas e riem. Não vejo graça. Não penso mais nada.Não consigo definir o que vejo, não são homens, são... Trisca-me o ouvido:
     “Queremos apenas teu silêncio.”
      Agora sei.
      Não são homens, são figuras. Figuras de linguagem não utilizadas.

                        (Milly Almeida* 19/12/2012)


sexta-feira, 31 de maio de 2013

O menina


"Há anos buscando-me em seios e sexos que deveras tido num corpo não meu. Anos perdidos em sonhos, ilusões, dependentes desejos outros ( meus?). Minha mente, inversamente proporcional ao meu corpo, multiplica-se às milhares esferas visuais de mim. Espelhos não refletem o que sou. Meus olhos não aceitam o que estou. Minha boca é silenciada pelos tantos pensamentos ‘martirizantes’ de almas inocentemente perversas e inteligentemente burras, animais.
Por vezes busquei morrer, sair do que não me pertence (ia), tentando encontrar no vácuo ou no arquiteto uma figura mais minha do que todas as outras que esperei que fossem de mim, mas nunca foram e que preciso que um dia, não completamente, mas ao mínimo, sejam.Mas não agora.
Estou encoberto por tecidos, drogas, e anestésicos. Vomito infertilidades, Soluço textos-e-romas, respiro mudanças. Um dia, serei eu, me encontrarei, de fato, em mim, nem que para isso, não precise da faca ou da seringa, mas da própria foice digna da morte."
[Desabafos de um(a) adolescente frustado(a). 15/03/1897]

(Milly Almeida* 31/05/2013)


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Apenas conversa




Dúvidas. Confissões. Galhos. Intrigas. Discussões. A madrugada se torna pequena para dois desconhecidos que se amanhecem de incertezas, certas, e convicções. O que os une? O que almejam? Sobre o que dialogam? ‘Se discordam’ e concordam? E mudam, refazem ideias, preconceitos errados. Mesmas folhas que caem, mesmas ventanias, mesmos sons a perturbar-lhes os ouvidos, mesmo mistério que os chama, ou a um; ou a todos que circundam seus dedos: aquelas corujas sábias, os vagalumes, as muriçocas (pessoas, não animais), a todos, que, todavia não desejariam ser um deles. Dois conhecidos unidos pelas arcanas raízes de pensamentos, até quem sabe um dia, enigmas se destapem e mudanças, também por eles, ocorram. 

(Milly Almeida: 24/05/2013*)

(Des)Moralismo



(Des) mitificando: Ilusão. Talvez, o querer estar certo, seja o agir errado e esse, o verdadeiro agir certo. Isso simplesmente porque o ser certo não é errado se certo, mas sim errado por se pensar estar certo e não vê-lo errado (dúvida) ou simplesmente neutro. (Perspectivas) Quando se está nas sombras toda luz é incômodo. (Cavernas).  Quem está na luz vê as sombras como desconhecido. (Medo) O cego que julga o mudo por ver, não pode entender quando este se põe a falar, (Desengano). porque lhe falta habilidade, a qual o cego também tem [deficiência] diferente, que acaba por se igualar.  Julgar o certo, quando o certo seja o errar. (preconceitos). Julgar. Abstrair.  Cair. Em que precipício você está? 

Milly Almeida ( 15/05/2013)

sábado, 11 de maio de 2013

Poema qualquer



Palavras aleatórias percorrem o papel como manchas
Borradas de saliva de pensamentos desconexos,
cuspidos de uma mente almejante.

Letras embelezam a aurora de um céu azulado
E se perdem no horizonte das quimeras e enleios naturais.
Que caem.
 Sobre a plumas de vertigem
Antecedendo a manhã, fazendo a manhã
Que Conversa.
Espera
Refazer-se fria e oculta.
Dentro de mim. Fora do papel.
Escrita.
(Milly Almeida*  05/03/2013)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Qualidades em defeitos




“Se você entendesse que eu não quero teu personagem e sim tua alma fidedigna, não desejo o que conheço e sim CONHECER é que desejo. Almejo teu humor sem graça, teu ser inconveniente, repleto de defeitos, de conflitos mancebos, de manias, de ilusões, de falhas, de críticas, de segredos, de dúvidas, de desfalecimentos, de doenças, de tristezas, melancolias extremas, perversão; Quero TUDO, menos conclusões precipitadas e imprecisas. A perfeição - só não existe, como incomoda, chateia, ilude. Necessito do que é real ou verdadeiramente ilusório, a questão é que cabe a mim com auxilio do tempo, decidir o que me interessa, o que me ambiciona ou não. O real pleito é ser entendido para depois entender.” 

(Milly Almeida*  23/06/2012)


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Gritos de silêncio




"Foi-se o tempo em que promessas e afeições tinham algum sentido. É tanta languidez, tanto desgosto, tanta raiva a percorrer-me o corpo. Enrosca-se em mim o clímax da fúria silenciosamente ululante que ascende meu lado inconscientemente amargo e pernicioso. E ele clama por acalanto e desespero. Cansei do provável, do improvável, de tudo, de todos, de mim... Meu corpo se desnudará com o grito de meu silêncio fatigado de minhas palavras."

(Milly Almeida* 07/06/2012)

sábado, 4 de maio de 2013

Medos



Aparecem sobre meu corpo como tatuagens molhadas,
curvas
          que e
                  s
                    c 
                      o
                         r
                           r
                             e
                                m  e  melam
 o chão com meus desesperos

Saiam!
"Esqueçam -me !
Deixem-me com meus espíritos
Leve minhas felicidades!
Devolva-me as dores!
Cansei desta Tortura...
Saia de dentro de mim!
Seja longe de mim!
Seja só!
Permita-me ser só! E embebedada de mim!"


(Milly Almeida* 19/12/2012)

domingo, 28 de abril de 2013

Para o Umbuzeiro por Raineri Caetano



E vai pegar um trem para o umbuzeiro azul
Bater na porta e entrar para o além
É lá que nos vamos nos encontrar
Com os mistérios que cada história tem
Ou vai pegar a bicicleta velha, e vai descer sem freio.
A ladeira mais íngreme pelo caminho do meio
Ali na porta o nosso encontro é certo
Sob a sombra do umbuzeiro azul o longe fica perto
Pega na minha mão e então o que mais dizer?
Bem vindo ao reino da poesia e do real saber
Abre sua pagina escolha a sua história
O livro estará sempre aberto para você agora (...)

(Ranieri Caetano /abril-2013)

sábado, 27 de abril de 2013

Erradas escolhas, certas




E se tudo que eu tenha feito foi errado
E se tudo que tenho vivido seja uma ilusão desmedida
E se todos os meus passos foram desconexos
E se tivesse feito o que queria ou deveria.

E se tudo que quisesse fosse meu
E se tudo que fosse, realmente eu quisesse
E se todos a quem tenho amado imensamente
Porventura, correspondessem, me quisessem

E se tivesse optado por outros caminhos
E se tivesse falado o que queria
Se tivesse calado, quando deveria
Se tivesse  pensado antes de ter dito

Se minhas escolhas foram todas erradas
Se não tivesse tido impulso, ousadia
Se não tivesse amado ou odiado
Se fizesse brisa a ventania

Trilhos escolhidos, traçados
Vida desconhecida, ou amanhecida.
O viver talvez fosse lúgubre
O existir seria então automático
O pensar seria pequeno, limitado
Ou não se fosse pensado, arrumado ?
E se fosse? Não seria eu.


(Milly Almeida - 27/04/2012)

quinta-feira, 14 de março de 2013

REALIDADES EM FORMA(S)




Alimentei-me de sombras, anestesiando meus sentidos
Com as formas que apareciam na parede
O intrépido olor de curvas obscuras percorrer-me
a confundir-me,
Forçando-me a buscar
Respostas, as quais não tenho.
Ou deveras não tido enquanto pensei e fosse
Nada que imaginasse era o que seria na verdade
Havia algo alem do que o que se projetava contra luz
Algo desconhecido
Algo perdido junto aos meus pensamentos confusos.
excertos incertos
Certezas difusas
Realidades confusas
Estampadas junto a sombra tatuando a parede.
Meus olhos fazem dela canais
Matrizes de uma vida real

artificial
Uma vida, realmente,

(Milly Almeida e Thalles Nathan )

terça-feira, 5 de março de 2013

Casal de dois



I "(Antes)-
 Duas pessoas, momentos vividos. Risos, tristezas, decepções, alegrias, amor. Dois anos.
Duas histórias, vidas unidas.
Duas mãos dadas, seguindo por horizontes opostos.
Duas personalidades. Dois seres
Que se diferem e se completam cada qual com suas incompletudes.
Duas bocas. Dois sorrisos que sempre foram por motivo comum.
Dois corpos. Dois espíritos.
Que transbordam amor em dois e se tornam um.

II (Agora)-
Distância. Dor.
Dois sentimentos: Saudade.
Amor,
Dois momentos.
Um pensamento:
Amar também é deixar que o outro se vá,
E seja pássaro,
Para que um dia volte, sabendo voar.
E que voe, voe em dois.


Em Dois     em Dois  
        Em Dois    
           Dois.       
E se faça(m) duplamente feliz.         

 (Milly Almeida: 24/01/2013, 21:04)

domingo, 3 de março de 2013

Sonhos de vida: vivida ou sonhada?



Estou sentado. Mente cansada rabisca sobre o papel memórias idosas de vidas passadas. Histórias, de algum lugar, lugar nenhum, as quais teriam sido vividas ou simplesmente fantasiadas em sonhos antigos, profundos- meus.
Ainda sinto dores, aroma de flores, amores. Sinto tudo, até mesmo o Sol, aquela luz brilhante e forte a iluminar meu quarto e chicotear meus olhos, acordando-me severamente. Abro-os. Suspiro. Olho o relógio, agora marca às 7:13, “ainda está cedo”, penso, tenho tempo.
Levanto-me.
O espelho agora me apresenta um jovem, há tempos desconhecido. Não há rugas em sua face, apenas o fastio de seus olhos causados por horas perdidas da madrugada assistindo TV e jogando videogame . E   os caroços, protuberâncias em seu braço, que só serviam pra lhe dar mais coceira, mas isso não interessa, agora. Seu corpo cheira a inocência, a displicência de quem ainda tem muito que aprender sobre a vida.
Seu nome é Miguel. Ele está se arrumando para ir estudar. Hoje cursa a 1ª série do Ensino Médio, numa escola ‘qualquer’- pra que citar nomes? Não é tão significante, estudou em tantas! Sempre se perdendo em notas, em conteúdos, em anos, recuperações. Perdendo tempo. No auge de seus 18 anos, convenhamos que poderia ir bem mais além.
Qual era sua prioridade? Não sabia. Nem mesmo entendia a matéria que via todos os dias. E seus pais? Bem... Não direi que são drogados, bêbados, nem “nômades”. Não, pelo contrário, pais comuns, casal comum com problemas, discussões, uma vida semelhante a qualquer outro. Porém, estes tinham uma peculiaridade: Eram veganos. E o que isso influencia no comportamento do filho? Quase nada, era uma família normal. Seus pais eram presentes!Tinham conversas com Miguel, sobre suas carreiras, trabalho, estudos. Mas apenas conversas não geram atitudes. Semelhante atrai semelhante. Certo?
 O que nos faz mudar? Uma decepção? Tristeza? Descontentamento? Saudade? Conselho? Um presente? Castigo? Desespero? Raiva? Uma pessoa? Um lugar?Um sonho? Talvez a junção de tudo.
Finalmente Miguel saiu de casa. E como fazia sempre, atravessava a rua, com sua mochila de caveira nas costas. Fones no ouvido, mãos no bolso, celular: The doors, a quem escutava com frequência. Hoje, porém, não era um dia qualquer. Era o mesmo caminho, horário, ruas, tudo era igual. Até as pessoas eram as mesmas, exceto uma, que passou. Só passou. Devagar... Perfumando... Levando tudo. Até sua atenção. Neste momento era uma música: Love Me Two Times. Sua favorita estava tocando, mas neste dia, não foi apenas a música que o tocou. 
Nunca mais a vi, na verdade, nem sei quem ela é. Hoje ainda escuto as mesmas bandas, as mesmas músicas; ainda desejo que me ame outra vez, mesmo que nunca tenha desejado o fazer, nem tenha realmente amado, de fato. Ainda canto minhas emoções e minhas verdades, agora grandes, não com a mesma constância de antes, afinal preciso tomar meus remédios, alimentar minhas rugas, minha fadiga de vida.
Minha vida em detalhes não interessa. Quantos empregos tive, o que aconteceram aos meus pais, se tive filhos ou não. Interessa quem me tornei e quero que se torne. Era um robô, hoje sou humano, que mesmo sendo mais um no mundo, ainda é alguém por quem se vale a pena lutar e que lutou... pelo incomum, pelo pensamento, pela mudança, mesmo que iniciada por alguém sem nem mesmo nada falar. Não importa. Ela foi feita. Ou talvez importa sim, por ter sido feita...E me faça pensar, novamente: O que nos faz querer mudar? Conselhos? Decepção? Tristeza? Descontentamento? Um sonho?Uma Pessoa? Talvez a junção de tudo. Sentimentos em um:  Amor. Amor a tudo, principalmente, à vida.
A você, com amor .
 Seu pai.
(...)Diário de M.S. 
[Memórias deixadas por Miguel Sanges a seu filho de 18 anos fruto de um relacionamento duradouro com Livia Conceição, a quem conheceu no colegial e viveu os melhores anos de sua vida. Ela era sua colega de classe, sempre foi apaixonada por ele e se conheceram porque “coincidentemente” Lívia tinha o mesmo perfume da garota por quem passara mais cedo. Miguel Sanges faleceu no dia 8 de Março de 2056. Morreu de Melanoma aos 43 anos, mas viveu intensamente todos seus últimos minutos de vida.]

Milly Almeida (04/03/2013)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Expirações poéticas




"É lindo como a poesia que ressoa dentro de nós, simplesmente flui. As palavras se reúnem em melodia- conversam, dançam, cantam, choram, riem- sem forçar, sem exigir; E a cada conversa, nos aprofundamos em emoções escondidas em cada letra miúda. Sem cobrança do automático de rimas enfáticas e perfeições parnasianas. Por que cobrar? Quando naturalmente elas vêm! Poeta não é aquele que lhes escreve. Mas aquele que vive o que escreve. Aquele que se redescobre, se reinventa. Por que querer ser poeta, quando se pode ser poesia?" 

(Milly Almeida, 03:13, 29/10/2012)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Utopia nubente


Observo teus olhos delibando todo meu ser, vorazmente
Necessito estar perto,
Necessito tocar-lhe,
O muito ainda é insuficiente.

Me anestésico ao extremo de anseio
Deste cálice deleitoso, embriagante
O sangue deste crédulo amante
Que a minha juíza, a cada dia, tem a corroer


Na quimera noite,
Lábios molhados percorrem-me a face
Teu corpo candente sobre o meu a desnudar, sinto ofegar
Estremecer, perder a sustentação, o controle neste enlace

Nada importa,
Somente o carinho, o afago,
A volúpia, o beijo, o amasso
O laço - de cabelo
Que já se perdeu em meio ao transe.

Olho de novo.
O laço ainda está ali,
Eu ainda estou ali
Só você que ainda não veio. 
Mas virá.

(Milly Almeida- 21/05/2012)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Filosofia e natureza





‎"Tudo é mutável. Somos como gramática que se reinventa, que se altera através da linguística das palavras que os próprios seres que a inventaram, a modificam. Cada dia tudo se muda. Tudo se é refeito. Não por originalidade. Tudo aquilo que produzimos é fruto do que consumimos. Nada é original. Apenas desenvolvido, roubado inocentemente, a se tomar por outras proporções. Análises de um mesmo horizonte, por focos distintos. O mundo evolui, assim como evoluímos com ele. Corpo e pensamento. Filosofia e natureza. Verdade. Somos esponja, que abstrai exatamente aquilo que se precisa, ou melhor, que acredita se precisar e então, utiliza-se da forma que bem entende." 

(Milly Almeida' 12/04/2012)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Paranóia



Olho, Procuro, bloqueio, saio,
Volto,
Olho, procuro, bloqueio
Outra vez.
 Sem expectativa...Volto.

Um sinal!
Corro, sento, desbloqueio, procuro,  feliz,
 “finalmente”...
- Em falso.

Bem...
Não que eu esperasse... Não que eu quisesse
Bem que poderia...

Outro sinal!
Vejo. Não o que queria.
Olho pro vácuo.
Vejo moscas que pousam e beijam a mesa
Vejo a mesa sendo beijada pelas moscas- indiferente
Perspectivas.
Outro sinal!
Droga! Esquece!
Isso é loucura.

(Milly Almeida: 18/12/2012)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pura areia






Não tenho mais nada a dizer. O arrependimento é presente e como o mar que invade as praias suga-me tudo, devolve-me pouco. Agora. Sou apenas areia. Quartzos restados. A espera de ondas. Ondas apenas estas, que me façam melhor que estou, que me permitam ser maior do que sou. Sou poeira. Dependo de tudo, porém não mais de mim. Ou talvez sim. Limito-me a meu corpo restado. Sou nada, agora. Sinto dor. Sinto, apenas. Saudade. Amor. Vento.

(Milly Almeida 14/02/2013)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sentido amor



‎"Amor? Não sei. Talvez o sinta. Talvez não. Simplesmente posso sentir, apenas pelo fato de achar que sinto. Ou achar que sinto por sentir. Sentir estar sentindo. Sentindo sentir achar que não sinto, saber que sinto ou querendo escondê-lo por achar, talvez, que não seja bom sentir. Ou simplesmente nem sentir, nem achar. Apenas querê-lo."


(Milly Almeida, 03:00, 29/10/2012)

Aqueles, poucos




Poucos são aqueles que merecem minhas desculpas
Poucos são aqueles que merecem minhas súplicas
Poucos são aqueles que merecem meus escritos,
Meus ditos,
Serem Ouvidos,
Atendidos.

Poucos são aqueles que me tem
Poucos são aqueles que pra mim são “alguém”.
Poucos são os que merecem minha paz,
Sequer capaz
Perpetrar-me querer mais, ser mais
Apaixonar-me.

Poucos são aqueles que merecem minha dor
Minha confiança, meu amor,
Conhecer o olor
De minh’alma inconstante, ilusória, serenamente insana.

Poucos são aqueles
São poucos... Aqueles
Aqueles
São os poucos que fazem diferença.

Milly Almeida (08/05/2012)

sábado, 26 de janeiro de 2013

Sinais trocados



  "Eram dois. Dois hífens que caminhavam sobre a calçada ao pôr-do-sol. Discutiam saberes, Discutiam traços de histórias recontadas e riam sobre a mesmice do dia comum, mas não para eles. Encontraram o que procuravam. Era um ponto- essencial- não final, mas inicial. Um ponto de ônibus.
  Agora eram passageiros em busca de assentos (acentos) para se colocarem. Tinha apenas um disponível, mas não era para eles, e sim do (de) ônibus. Era um acento diferente, um daqueles para deficientes, são mais altos, bilaterais, dão uma tonicidade fechada; totalmente circunflexo aos outros acentos, que eram feios, retos e abertos- agudos. Embelezavam o local. Embelezavam as pessoas-palavras.
   Sentaram-se. Não sabiam para onde iam. Apenas conversavam, parafraseavam e a cada ponto em que paravam, analisavam metodicamente cada nova pessoa que entrava. Pessoas? Não tinham acento. Ficavam de pé. Mas às vezes entravam aquelas outras, que acabavam conseguindo algum lugar. Eram Fátimas, Emílias, Vitórias, Flávios, Andrés, Josés, Cláudios. Ah! Esses precisam de acento, não? Não precisava ser igual ao deles, podia ser agudo, melhor, devia ser agudo! Pensavam, cansados de tanto pensar.
   Logo esqueceram e se perderam na paisagem que estava ao seu lado, para além da janela. Começaram a imaginar como seria se estivessem lá fora e quiseram estar lá. Descer? Melhor não. Não sabiam onde estavam e já anoitecia, melhor que ficassem seguros.
Imaginaram-se naqueles tantos outros momentos: no algodão-doce do menino que contente andava de mãos dadas com a mãe sorrindo por que o pedaço que tirou era grande demais para sua pequena boca, ou naquela água-morna, a poça d’água no chão deixada pela chuva que caía logo cedo e que provavelmente desapareceria dali, evaporaria e apareceria em outro lugar, com outro tamanho, outra temperatura; ou como  seria se estivessem presos dentro do sapato daquela menina que dança no salão, em sua meia-calça rosada, sentindo-a, percebendo  a música lhe arrepiar os poros, o suor tomar todo o seu corpo que se movimenta arduamente... Não puderam ver mais, ela tinha ficado pra trás. Sua meia-calça, o algodão- doce, a água-morna ficara pra trás, tudo não passou de mera palavra composta passada pelo caminho percorrido por eles.
    Olhares se voltaram para uma passageira que subia. Exigia um acento, mas o ônibus não tinha. Não podia ser reto, muito menos circunflexo. Fonético, específico, fácil de usar, mas não de encontrar. Coitada, não tinha. Mas não aparentava tristeza.
   -Boa noite. Posso me sentar aqui?
   -Boa noite senhora, qual sua graça?
   -Redação, muito prazer.
   -Este acento não lhe cabe, nem nossa pontuação. Pedimos desculpas.
   -Por que não? Quem são vocês!?
   - Bem senhora..
   -  Ah...já sei... Hífens! Acertei?! Não entendo como podem ser sempre retos, estáticos, deslocados! Sempre com dificuldades em se colocar... Devem estar aqui, provavelmente com medo de descer. Por isso que as palavras lhe fogem e são tão excluídos e não aceitos! Por que não tentam viver sem tantas determinações e limitações? Libertem-se dessa retidão!
   - O que quer de nós?!
   - Nada! Preciso de nasalização. Sinal diacrítico! Este seu “acento” não serve pra mim! Vocês num passam de mero sinal indicativo. Se pelo menos deixassem...
   -O quê?
   - O ônibus parou escutaram? Não posso me limitar a um til, que aqui não vi, buscarei outros momentos, outros horizontes, outras palavras. Afinal sou uma redação, preciso disto. Espero que façam o mesmo. Estou descendo.
   - Vamos descer?
   -Onde estamos? Já é noite! Vamos ficar aqui?
   - E para onde iremos?!
   - Vamos deixar de tantos pontos de ônibus. Tantas vírgulas impensadas. Buscar coisas novas, experimentar coisas novas. Não somos insignificantes. Só nos limitamos! Talvez nossos pensamentos sejam muito pequenos para a grandeza de nossas mentes! Ela estava certa.
   - E o que faremos?
   -Não sei. Só penso. É bom pensar. “Por que devemos ser traço, quando podemos ser uma curva e percorrer tantos caminhos?”
   -E fecha aspas.”

   E não pensaram mais. Foram. “Curvaram-se"."

(Milly Almeida (25/01/2012)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013





"Por que não acreditar em mim? Por que duvidar de quem ou o que realmente sou? Porque acreditar nas pessoas que me elogiam, se da mesma forma sou obrigada a confiar-lhes a palavra quando me ofendem? Por que precisar de respostas alheias para responder questões que devem ser resolvidas por mim mesmas? Talvez seja insegura, talvez não me conheça, tanto, mas o pouco, já é o bastante para se sobrepor as várias pessoas que os outros podem reconhecer em mim.
Porém, só existe uma. Só eu. Eu, só. Inúmeras."

                         Milly Almeida' (15/04

sábado, 19 de janeiro de 2013

Reais fantasias



"Imagens desconexas, irreais, fantasias - Sonhos. Parecem idéias perdidas a espera de alguém que as torne realidades. Irreais? Quando se sonha, suas sensações não são legítimas? O que é real? O tocável? O ar é real. É visível? Não. Talvez quando se sonhe, este possa o ser. Então irá ser real, mesmo no sonho, caso o toque? Perguntas. Ar. Suspiro.Desejos. Vida. Utopias- Poesias."

(Milly Almeida- 09/01/2013)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Umbuzeiro no face!!

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Tudo passa




"[...]Sem o mal, não existe o bem. Sem a morte, não há vida. Sem a tristeza, não existe felicidade. Tudo é questão de fase, de momento. De tempo.Tudo passa."

(Cama de Gato, 2012. Milly Almeida*)

Mar de palavras




"Idéias surgem como ondas, 
Trazem tudo consigo. 
palavras e até nada. 

Respingos de água que abrangem a imensidão que se faz pensamento. 

São peixes, 
São corais 
que colorem e alumiam o mar.
Sem relação. Com relação. 
Se respirando o som. 
Se bebendo cor. 
Se cheirando versos. 
Lavando-se de poesias. 

Flutuam como flores que se desprendem das árvores 

sem nem forçar. 
Caem no mar. 
Buscando o mar. 
Cantando o mar. 
Flutuando sobre as palavras. 
Unindo-se sobre as ideias. 
Mergulhando-se em pensamentos. 
Dançam. 
Descansam alertas." 

(Milly Almeida*)

domingo, 13 de janeiro de 2013

Alguém



"Feliz, alegre, espontânea, fraca, amiga, inimiga, sincera, suja, maldosa, maliciosa, confusa, perturbada, doida, paradoxal, triste, depressiva, crítica, revoltada-inconstante. Olhos, boca. Dois ouvidos. Sou nada alem disso, sou nada antes disso. Sou nada do que defino; que limito. Sou Apenas eu.Não todos. Não resto. Apenas eu."


(Milly Almeida 11/12/2012)

Desejo tétrico



"Sangue? 
       Meu?
Meu sangue?
Querem -meu- sangue?

Darei...
A O S P O U C O S
A O S P I N G O S

Só degustar
(de)Gostar -(por) gostar
Beber...
Embebedar..
Continuem, 
       se deturpem, 
se envenenem.
Bem
Devagar"
(Milly Almeida 28/09/2012)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Calor

Não tem jeito
Ele não vai pedir licença
Chega e lhe abraça como se nada houvesse acontecido...
Lógico que aconteceu! Tomou seu café mesmo antes de tê-lo feito
Invadiu sua casa, seu banheiro
seu quarto
Sua vida
Seu banho! Até o alimento
Mas toma teu corpo como se fosse teu!
E ainda o perturba, incomoda...
Hipócrita!
Como não percebe que não é bem-vindo?
Ainda ficas!
Mais? 
Não.
Ainda cresce.
Cresce..
Gelo, vento.. cadê?
Derreteu, foi expulso, sumiu..
Também quero que suma.
Nao.
Ah!
"Minhas tardes já foram mais frias."



(Milly Almeida, 21/11/2012)